Representação caligráfica do nome do Profeta
- Biografia
- Dados Pessoais
Nome: Muhammad
Nome do pai: Abdullah, filho de Abdul Mutalib (a ascendência chega até o Profeta Ismael, filho do Profeta Abraão).
Sobrenome: Era da família Bani Hashim (Bani Hashim pertencia a tribo de Quraish, uma tribo de alta consideração na Arábia).
Data de nascimento: 22 de Abril de 570 d.C.
Local de nascimento: Meca, na Península Arábica (atualmente Arábia Saudita)
Data de falecimento: 6 de junho de 632 d.C (tinha 63 anos quando faleceu)
Local de falecimento e sepultura : A Cidade de Medina (450 Km ao norte de Meca)
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Mapa da Arábia Saudita |
- Sua infância e Adolescência
De seu nascimento a 2 anos : Muhammad não tinha irmãos. Seu pai morreu antes. Sua mãe o mandou para fora da cidade de Meca para que uma ama de nome Halima o amamentasse (essa prática era muito habitual na tradição do mundo árabe)
2 a 6 anos : Viveu com sua mãe, Amina, até que faleceu no ano de 576 d.C.
6 a 8 anos: Viveu com seu avô, Abdul Mutalib, até sua morte
8 a 25 anos: Viveu com seu tio paterno (Abu Talib) que teve 10 filhos.
- Sua educação
Muhammad era iletrado: Não sabia ler nem escrever. nunca viveu fora de Meca nem tinha nenhum conhecimento do que acontecia fora de seu entorno. Quando completou quarenta anos recebeu o "Sagrado Alcorão" através de revelação de Deus por intermédio do anjo Jibril (Gabriel), que o ensinou a palavra de Deus. Muhammad memorizou o Alcorão e transmitiu cada letra, cada palavra sem diminuir ou adicionar nenhuma letra.
Os ditos e os ensinamentos foram reunidos e compilados em livros que se chamam "A Sunnah do Profeta".
Estes ensinamentos são diferentes do alcorão no que diz respeito a composição, portanto não se mesclam com o Sagrado Alcorão.
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Um dos maiores ( se não o maior, não tenho certeza) livros escritos a mão do mundo é um Sagrado Alcorão |
Infância aos 25 anos: Trabalhou como pastor de ovelhas, durante algum tempo. Em seguida, trabalhou como comerciante com seu tio Abu Talib. Tinha somente 12 anos quando acompanhou seu tio Abu Talib pela primeira vez em viajem comercial até a Síria.
Dos 25 aos 40 anos: Trabalhou no comércio para uma mulher rica de nome Khadija. Ficou conhecido em sua comunidade como um comerciante honesto e próspero. Eram conhecidas sua fidelidade, integridade e honestidade Em pouco tempo adquiriu o título de "As sadiqul Amin" que quer dizer " o sincero e fidedigno"
Dos 40 aos 63 anos: Quando tinha 40 anos (aproximadamente no ano de 610 d.C.) Muhammad recebeu a Revelação Divina e dedicou o resto de sua vida a transmitir a mensagem de Deus para as pessoas. Ensinou a unicidade de Deus para as pessoas e transmitiu o Alcorão Sagrado para ser um estatuto social, a paz, a harmonia e o bem estar para toda a humanidade. Disse Allah (o Altíssimo):
[E não te enviamos senão como misericórdia para todos os mundos]
[E não te enviamos senão como misericórdia para todos os mundos]
- Sua vida familiar
Muhammad casa aos 25 anos: Khadija bint Khuailid descendia de uma família nobre chamada Assad. Era uma mulher viúva e respeitada na sua comunidade. Muhammad trabalhou para ela durante dois anos antes que ela o pedisse em matrimônio através de uma terceira pessoa. Ela o via como alguém leal, transparente e com muita ética.
Matrimônio próspero: Ainda que Khadija tivesse 15 anos a mais que Muhammad, ambos provinham de uma classe social parecida dentro da comunidade. A diferença de idade não foi obstáculo para construir um matrimônio harmonioso que durou 25 anos, até que Khadija morreu aos 65 anos, no ano de 619 d.C..Muhammad voltou a casar somente depois que Khadija faleceu.
Pai de seis filhos e homem de família: Muhammad e Khadija viveram em paz e harmonia. Tiveram quatro filhas (Zainab, Ruqaya, Umm Kulthum e Fátima) e dois filhos (Al Qasim, que morreu com a idade de 3 anos e Abdullah que morreu com a idade de 4 anos).Muhammad amava a sua esposa Khadija e lhe foi fiel,assim como aos seus filhos. "Em várias ocasiões, Muhammad a descrevia como a melhor mulher de sua época, Tal como Maria (mãe de Jesus) na sua época" - Narrado por Al Bikhari
Muhammad Cumpre a Missão em 23 Anos
610 d.C.
Início da Mensagem: Muhammad recebeu a revelação de Deus quando estava adorando a Deus na caverna de Hirá, situada na montanha de Annur em Meca. Nesse dia, o Anjo Jibril (Gabriel) desceu para lhe revelar a ordem divina, começando assim a missão da transmissão da Mensagem de Deus para a humanidade. Assim, Muhammad foi enviado por Deus como Mensageiro para o seu povo e para todas as pessoas, convocando-os a crer em Deus, o Único e a aceitar a sua Mensagem. Uma missão que requeria uma verdadeira fé , forte sinceridade, interminável fidelidade e completa honestidade.
610 a 162 d.C
Formam-se os primeiros muçulmanos: Muhammad convidou seus familiares e seu círculo íntimo a crerem em Deus e na sua Mensagem. Os primeiros a crer foram sua esposa Khadija bint Khuailid, o seu companheiro Abu Bakr Al Siddiq, seu primo Ali ibn Abi Talib e seu empregado Zaid ibn Harithah. E Muhammad (a Paz esteja com ele) continuou a pregar individualmente, sem proclamar o Islam publicamente durante três anos. Estes primeiros muçulmanos eram uma mescla de gente rica e pobre, homens e mulheres, gente selecionada por suas boas qualidades para aceitar o Islam. Entre os mais importantes crentes neste período temos: Uthman ibn Áffan, Al Zubair ibn Al Áuam, Abdurrahman ibn Áuf, Ammar ibn lassir, Saíd ibn Zaid, sua esposa Fátima bint Al Khattab (irmã de Omar ibn Al Khattab).
613 a 165 d.C.
Os líderes de Quraish resistem contra o Islam: Depois de três anos de pregação individual e seletiva, Muhammad e seus seguidores começaram a falar abertamente sobre o Islam às pessoas. Ainda que Muhammad fosse conhecido como alguém honesto e de confiança, os líderes de Meca não aceitaram seu convite para abraçar o Islam e resistiram. O chamado de poeta, mago e louco.
Tentativa de acordo e ameaça: Os líderes de Meca tentaram dissuadir Muhammad para que deixasse de convidar as pessoas a abraçar o Islam mediante tentações e ameaças. Ao mesmo tempo tentavam por todos os meios evitar que as pessoas o escutassem. Mostravam-se cada vez mais hostis com os novos muçulmanos; Perseguiam e torturavam os muçulmanos pobres e débeis. Mataram alguns de seus companheiros e molestaram a pessoa do Profeta (a Paz esteja com ele)
Muhammad dá suporte aos seus companheiros: Sempre se reuniam da casa de Al Arqam, que era como uma escola onde ensinava os versículos do alcorão que eram revelados continuamente, ensinava-lhe os valores e a moral, e plantava neles o sentimento de responsabilidade e compromisso. Muhammad foi testemunha do sofrimento e das torturas que alguns de seus seguidores suportavam, por isso os aconselhou a buscar refúgio na Abissínia (atualmente Etiópia)., descrevendo a como uma terra onde reinava a virtude nas mãos de um rei cristão justo, intitulado Négus.
Dois homens poderosos de Meca e muito respeitados, Omar ibn Al Khattab e Hamza ibn Abdul Muttalib (tio de Muhammad), aceitaram o Islam. Este acontecimento foi decisivo para os muçulmanos. Hamza se converteu em um seguidor importante e protetor de Muhammad até que morreu na batalha de Uhud (525 d.C.). Três anos depois da morte do Profeta Muhammad (que a Paz esteja com ele), Omar se converteu no segundo califa e governou o Estado Islâmico durante 11 anos.
616 a 618 d.C.
O boicote econômico e social: Os líderes de Meca tentaram fazer um acordo com Muhammad várias vezes, porém , a sua posição era firme porque carregava a mensagem de Deus para a humanidade, por isso não havia espaço para acordos contra a verdade. Então, decidiram boicotar Muhammad e seus seguidores e lhes impuseram um bloqueio econômico e social que durou três anos. Durante este tempo, Muhammad e seus seguidores sofreram muitas humilhações. Este período foi uma dura prova para sua paciência e compromisso com a verdade
619 a 620 d.C.
Ano da tristeza: Os chefes de Meca levantaram o bloqueio econômico e social, por se deram conta de que não trouxe nenhum resultado. Neste mesmo ano, faleceu o seu tio Abu Talib, que o educou e o apoiou, e também morreu sua esposa Khadija que o amou e o apoiou e lhe foi leal. Muhammad sofreu muito e cansou das perseguições dos líderes de Meca e decidiu buscar apoio fora de Meca. Dirigiu-se a cidade de Taif, a aproximadamente 80 km ao norte de Meca, onde também encontrou hostilidade.
620 a 622 d.C.
Um pouco de esperança: Mesmo com as dificuldades que atravessaram o seu caminho, Muhammad ( a Paz esteja com ele) e seus companheiros continuaram a pregação ao caminho de Deus, crentes n'Ele e na Sua Mensagem e convictos de Seu apoio e salvação. Ademais, falou com mais várias tribos árabes sobre o Islam, porém não obteve nenhuma resposta positiva. Em seguida, se encontrou com seis habitantes de lathrib (cidade situada a 450 Km ao norte de Meca) na época da peregrinação.
Duas grandes tribos habitavam esta cidade: Al Aus e Al Khazraj, e outras tribos judias. Estas pessoas eram da tribo de Al Khazraj e, ao ouvir Muhammad convidá-los a crer em Deus Único e falar sobre a Mensagem do Islam, lembraram que os judeus de lathrib comentavam sobre o envio de um novo profeta, então todos eles creram em Muhammad e regressaram com a intenção de convidar mais pessoas de sua própria tribo. E concordaram a voltar para Meca no ano seguinte no período da peregrinação para voltar a encontrar-se com Muhammad "o Profeta e Mensageiro de Deus".
Novos muçulmanos declaram apoio a Muhammad: O mesmo grupo voltou no ano seguinte (621 d.C.) com mais seis pessoas. Eles se comprometeram e deram o voto de fidelidade para Muhammad aceitando-o como Mensageiro de Deus e prometendo:
(1)"Não adorar nada além de Allah, o Deus Único. (2) Não roubar. (3) Não cometer adultério. (4) Não matar. (5) Não desobedecer ao Mensageiro de Deus." Esta promessa é conhecida como "o Primeiro Compromisso de AL Áqabah", em referência ao local onde ocorreu.
O grupo voltou para lathrib e convidou seus líderes tribais e seu povo para aceitar o Islam. Eles voltaram novamente no ano seguinte (622 d.C) na época da peregrinação com mais setenta homens e duas mulheres e fizeram uma promessa de fidelidade semelhante à primeira, que ficou conhecida como "2º compromisso de Al Áqabah", e foi um marco na história da difusão do Islam.
Uma nova comunidade muçulmana em lathrib, para onde os muçulmanos poderão imigrar: Os líderes das principais tribos (Al Aus e Al Khazraj) abraçara o Islam seguidos por sua gente. Muhammad, então, permitiu que seus companheiros imigrassem de Meca para lathrib, para viverem com seus irmãos distantes da perseguição de Quraish.
622 d.C.
A conspiração dos líderes de Quraish para matar Muhammad e sua imigração: Os chefes de Meca temeram o aumento dos seguidores de Muhammad e a difusão do Islam na Península Arábica, então idealizaram uma conspiração para matar Muhammad. Neste momento, o Profeta saiu de Meca junto com seu companheiro Abu Bakr, dirigiram-se para a caverna de Thaur, onde permaneceram durante três dias e, em seguida, imigraram para lathrib. Sua imigração representa o marco mais importante da história do Islam. Desde lathrib, o Islam floresceu, surgiu um novo sistema social e se estabeleceram as sementes do Estado Islâmico.
623 a 624 d.C.
Muhammad foi eleito governador de Medina: Os habitantes de lathrib eram uma mescla de árabes e judeus. Ainda que somente houvesse duas grandes tribos árabes, a comunidade árabe era a maioria e, portante ostentava o poder. Muhammad, o Profeta de Deus , foi eleito governador de lathrib de maneira voluntária e pacífica, com o consentimento da grande maioria.
Muhammad altera o nome de lathrib: "Al Madinah Al Munawarah" (que significa "a cidade iluminada") foi o novo node que Muhammad deu à cidade depois de sua imigração, e a partir desse dia, lathrib não somente pertencia ao grupo de Al Aus ou Al Khazraj ou ao grupo dos judeus, mas se converteu na terra dos crentes que aceitaram o Islam, e era governada pelo Mensageiro de Deus.
Muhammad estabelece uma nova sociedade em Medina e prega a convivência pacífica e o respeito dos direitos alheios: A primeira ação realizada por Muhammad foi construir a mesquita para os muçulmanos poderem se reunir e realizar suas orações. E decretou a irmandade entre os imigrantes de Meca e os socorredores habitantes de Medina, aumentando assim a harmonia e o amor entre eles. Em seguida, Muhammad convocou as pessoas a realizarem a união e a coesão social em Medina.
A primeira vez que se pronunciou para as pessoas de Medina, Muhammad deu deliberadamente um discurso muito conciso no qual ele sublinhou a importância da harmonia e disse:
"Difundam o cumprimento da paz (al Salam), deem de comer uns aos outros, e rezem a Deus durante a noite quando os demais estejam dormindo. E assim, entrareis no Paraíso em paz".- Narrado por Ibn Majah, Annassaí e outros.
Muhammad relacionou esses atos com o que agradava a Deus para motivar as pessoas a amarem-se e viver em paz e harmonia em uma sociedade multicultural, onde viviam os árabes e os judeus, muçulmanos e não muçulmanos.
623 a 624 d.C.
Muhammad estabelece a primeira constituição e a primeira Carta de Direitos Humanos: Muhammad estabeleceu uma Constituição que definia os direitos e deveres das pessoas e o relacionamento entre as pessoas. Foi uma Constituição e Carta de Direitos Humanos e Liberdades assinada por todas as tribos árabes e judias.
"A constituição de Medina garantia a liberdade de consciência e culto para os muçulmanos, judeus e árabes que não haviam aceito o Islam. Ademais, a Constituição garantia a proteção e segurança para todos os cidadãos de Medina e requeria que todas as partes que houvessem assinado o acordo para a formação da Constituição formassem parte da defesa nacional no caso de Medina ser atacada pelos inimigos.A Constituição estabelecia justiça e garantia os direitos humanos, a liberdade e a proibição das práticas criminais e imorais.
624 d.C.
"Badr", uma batalha imposta aos muçulmanos: Quando os muçulmanos migraram de Meca para Medina, a maioria foi obrigada a abandonar suas casas e suas propriedades foram confiscadas.
Os chefes de Meca converteram o dinheiro confiscado dos muçulmanos no comércio e nos negócios. Os muçulmanos sabiam que uma caravana de mercadores que pertencia aos chefes de Meca e que era liderada por seu inimigo Abu Sufian, iria passar por uma rota muito próxima de Medina, então decidiram interceptar a caravana para assim poder recurar as riquezas que lhes havia sido confiscadas em Meca. Somente 313 muçulmanos levaram a cabo esta missão. O serviço de inteligência de Meca avisou a Abu Sufian para que a caravana mudasse a rota e desde então enviaram um exército de 950 soldados para lutar contra os muçulmanos que não estavam preparados para a guerra e não dispunham de armamento adequado.
Muhammad suplicou ao seu Senhor com devoção e insistência rogando a vitória. Esta batalha ocorreu na região de Badr, a 155 Km a sudoeste de Medina, no dia 17 de Ramadan, no segundo ano após a hijrah (imigração). Foi assombroso e totalmente inesperado o fato de que os muçulmanos ganharam sua primeira batalha contra os chefes de Meca, batalha, qual, muitos chefes de Meca e outras pessoas relevantes perderam suas vidas.
625 d.C
Os chefes de Quraish atacam os muçulmanos na Batalha de Uhud: Como vingança por perder a Batalha de Badr e por temor de perder sua liderança na Arábia, os chefes de Meca junto com alguns aliados árabes enviaram um exército de 3000 soldados para atacar os muçulmanos. A batalha ocorreu perto da montanha de Uhud, ao norte de Medina, no terceiro ano após a hijrah. Muhammad ordenou um grupo de atiradores a permanecer em cima de um pequeno monte para proteger a retaguarda do exército dos muçulmanos, porém eles desceram do monte e se ocuparam em reunir os espólios de guerra e, a o perceber isso, Khalid ibn Al Walid (que ainda fazia parte do exército de Quraish) deu a volta por trás do monte com o seu exército e atacou os muçulmanos.
Os muçulmanos perderam esta batalha e Muhammad se feriu. E muitos de seus companheiros caíram mártires, incluindo seu tio Hamza, a quem guardava grande afeto.
626 d.C.
Os líderes de Meca e várias outras tribos cercam Medina na Batalha da Trincheira: Esta batalha também é denominada "Batalha dos Aliados". Como Muhammad não foi abatido na batalha anterior, os chefes de Meca e algumas tribos árabes e judias fizeram uma convocação para unir forças e atacar conjuntamente a Muhammad para matá-lo e assim destruir a comunidade muçulmana.
Um exército composto de 10.000 soldados marchou até Medina.Depois de consultar seus companheiros, Muhammad (a Paz esteja com ele) decidiu adotar a proposta de um muçulmano persa chamado Salman que consistia em cavar uma trincheira no acesso norte da cidade de Medina, especialmente porque Medina é cercada de montanhas vulcânicas sobre as quais os cavalos não podem andar. Assim, a escavação de uma trincheira entre o oeste e leste da cidade impedirá os aliados de invadirem a cidade. Os muçulmanos escavaram uma trincheira de 5,5 Km de comprimento por 4,6 m de largura.
Os muçulmanos se encontravam em uma situação desfavorável, então fizeram o máximo que puderam, inclusive recorreram à guerra psicológica, para cinzelar uma boa defesa. Depois de um mês de cerco, o exército de Meca começou a impacientar´se. Foi então quando se desencadearam fortes tempestades e começou a soprar um forte vento que arrancou seus acampamentos, os aliados se viram forçados a se retirar.
627 d.C
Tratado de Hudaibiah, uma trégua de 10 anos: Um ano depois da Batalha da Trincheira, Muhammad tomou uma iniciativa pacífica e decidiu fazer a Umrah (visita a Kaabah, a Casa de Deus em Meca). Visitar Meca com o propósito de venerar a Deus era um direito religioso que Meca havia se comprometido a dar a todas as pessoas da Arábia. Foi assombroso para os chefes de Meca ver Muhammad aproximar-se de sua cidade com 1400 civis provenientes de Medina.
Ao longo de várias negociações, os chefes de Meca e Muhammad acordaram uma trégua de 10 anos na qual Muhammad e seus companheiros regressaram a suas casas com a condição de voltar no ano seguinte para visitar Meca (628 d.C.) durante três dias. O acordo dava aos indivíduos e tribos o direito de fazer aliança com quem desejar, quem quiser entrar na aliança de Muhammad poderá entrar. E quem, entre os árabes, desejar entrar na aliança de Quraish poderá entrar.Quando algum quraishita vier até os muçulmanos, eles devem devolvê-lo aos quraishitas. E quando algum muçulmano vier até os quraishitas, eles não tem a obrigação de devolvê-lo a aos muçulmanos. A trégua constava de outas cláusulas com as quais os muçulmanos não estavam muito satisfeitos, pois favoreciam visivelmente os chefes de Meca, porém, Muhammad observava os resultados a longo prazo.
628 a 629 d.C.
Durante a trégua, Muhammad transmite a Mensagem dentro e fora da Península Arábica: A trégua foi uma oportunidade de ouro para Muhammad em transmitir a Mensagem de Deus e poder falar livremente às pessoas sobre o Islam sem ser interrompido ou interceptado pelos líderes de Quraish ou seus aliados.
Muhammad enviou delegações a outras tribos árabes da Península Arábica e escreveu cartas aos governadores e reis como Pérsia, Bizâncio e Egito, convidando-os a abraçar o Islam e aceitar a Mensagem de Deus. O número de muçulmanos cresceu rapidamente.
630 d.C
A conquista pacífica de Meca: A trégua não durou mais de dois anos, já que um dos aliados de Meca (Banu Bakr) atacou um dos aliados de Muhammad (Banu Khuza'ah) e matou 20 pessoas. Em resposta a este crime, Muhammad marchou junto com 10.000 muçulmanos para a conquista de Meca, pedindo a seus soldados que não lutassem a menos que fossem atacados. Os chefes de Meca estavam envergonhados e não se sentiam preparados para lutar contra os muçulmanos. Muhammad deu garantia de segurança a todas as pessoas que entrarem na Casa Sagrada, em sua casa ou na casa de Abu Sulfian, que era um dos maiores líderes de Meca. Muhammad se dirigiu a todos os habitantes de Meca confirmando-lhes a unicidade de Deus, atribuindo a Ele a vitória e recordando as pessoas que todos descendiam de Adão e que Adão havia sido criado do barro.
Muitos dos habitantes de Meca perseguiram a Muhammad e seus companheiros, tentaram matá-lo e os expulsaram de sua terra, porem, apesar de todas as penúrias que haviam sofrido durante os últimos 21 anos, Muhammad se manteve sereno e perguntou :
"Que esperais que faça convosco?" Então responderam: "O melhor. Apesar de tudo, tu sempre foste um irmão generoso, filho de um irmão generoso". Muhammad então respondeu: "Vos digo a mesma palavra que José disse aos seus irmãos:"Não há repreensão a vós hoje. Que Allah vos perdoe, e Ele é o mais Misericordioso dos misericordiosos". Hoje não tens nada que temer. Regressem para suas casas, são livres".
630 a 631. d.C
Tribos árabes abraçam o Islam: Depois da pacífica conquista de Meca, a maioria das tribos abraçou o Islam, exceto a tribo de Thaquif e Hawazin , que lutaram contra os muçulmanos e perderam a Batalha de Hunain, no ano 8 depois da hijrah. Muhammad suplicou a Deus para que guiasse a tribo de Thaquif e, com a graça de Deus, eles creram e, no nono ano depois da hijrah o profeta ( a Paz esteja com ele) recebeu as delegações em Medina e enviou muitos de seus companheiros a várias províncias da Arábia para ensinar a Mensagem de Deus. Assim, a maioria das tribos árabes abraçou o Islam.
632 d.C
O sermão de despedida: A missão de Muhammad teve êxito e sua vida se aproximava do fim. No ano de 632 d.C Muhammad fez a peregrinação e deu seu último sermão ante mais de 100.000 pessoas. Seu sermão recordou as pessoas sobre os elementos básicos da fé, a crença em Deus único, o zelo pela vida, alertou contra os atos imorais da época pré-islâmica. Recomendou a benfeitoria para com as mulheres e o abandono dos pecados, da exploração e do monopólio. Também lembrou a igualdade de todas as raças, as regras de justiça, a moralidade e os direitos dos outros.
A morte de Muhammad
Em Arafat, durante a peregrinação, foi revelado ao Profeta (a Paz esteja com ele) o versículo: [Hoje, completei para vós a vossa religião, e completei sobre vós a Minha graça, e Me agrada o Islam por religião] (Al Maidah 3). O Profeta Muhammad viveu pouco mais de três meses depois da revelação deste versículo. A nobre missão de transmitir a palavra de Deus terminou depois de vinte e três anos de esforço. Muhammad morreu em sua casa em Medina no ano de 632 d.C. depois de transmitira a Mensagem e lutar continuamente para fazê-la chegar a todas as pessoas.Não deixou nem dinheiro,nem riquezas, senão um legado de fé que, todavia segue iluminando os corações de milhões de pessoas ao redor do mundo até os dias de hoje . Muhammad (a Paz esteja com ele) morreu numa segunda feira, no dia 12 de Rabi'al Awal do ano 11 depois de uma imigração (632 d.C)
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Mesquita de Mohammad |
Muhammad Cumpre a Missão em 23 Anos
610 d.C.
Início da Mensagem: Muhammad recebeu a revelação de Deus quando estava adorando a Deus na caverna de Hirá, situada na montanha de Annur em Meca. Nesse dia, o Anjo Jibril (Gabriel) desceu para lhe revelar a ordem divina, começando assim a missão da transmissão da Mensagem de Deus para a humanidade. Assim, Muhammad foi enviado por Deus como Mensageiro para o seu povo e para todas as pessoas, convocando-os a crer em Deus, o Único e a aceitar a sua Mensagem. Uma missão que requeria uma verdadeira fé , forte sinceridade, interminável fidelidade e completa honestidade.
Montanha de Annur - Meca |
Formam-se os primeiros muçulmanos: Muhammad convidou seus familiares e seu círculo íntimo a crerem em Deus e na sua Mensagem. Os primeiros a crer foram sua esposa Khadija bint Khuailid, o seu companheiro Abu Bakr Al Siddiq, seu primo Ali ibn Abi Talib e seu empregado Zaid ibn Harithah. E Muhammad (a Paz esteja com ele) continuou a pregar individualmente, sem proclamar o Islam publicamente durante três anos. Estes primeiros muçulmanos eram uma mescla de gente rica e pobre, homens e mulheres, gente selecionada por suas boas qualidades para aceitar o Islam. Entre os mais importantes crentes neste período temos: Uthman ibn Áffan, Al Zubair ibn Al Áuam, Abdurrahman ibn Áuf, Ammar ibn lassir, Saíd ibn Zaid, sua esposa Fátima bint Al Khattab (irmã de Omar ibn Al Khattab).
613 a 165 d.C.
Os líderes de Quraish resistem contra o Islam: Depois de três anos de pregação individual e seletiva, Muhammad e seus seguidores começaram a falar abertamente sobre o Islam às pessoas. Ainda que Muhammad fosse conhecido como alguém honesto e de confiança, os líderes de Meca não aceitaram seu convite para abraçar o Islam e resistiram. O chamado de poeta, mago e louco.
Tentativa de acordo e ameaça: Os líderes de Meca tentaram dissuadir Muhammad para que deixasse de convidar as pessoas a abraçar o Islam mediante tentações e ameaças. Ao mesmo tempo tentavam por todos os meios evitar que as pessoas o escutassem. Mostravam-se cada vez mais hostis com os novos muçulmanos; Perseguiam e torturavam os muçulmanos pobres e débeis. Mataram alguns de seus companheiros e molestaram a pessoa do Profeta (a Paz esteja com ele)
Muhammad dá suporte aos seus companheiros: Sempre se reuniam da casa de Al Arqam, que era como uma escola onde ensinava os versículos do alcorão que eram revelados continuamente, ensinava-lhe os valores e a moral, e plantava neles o sentimento de responsabilidade e compromisso. Muhammad foi testemunha do sofrimento e das torturas que alguns de seus seguidores suportavam, por isso os aconselhou a buscar refúgio na Abissínia (atualmente Etiópia)., descrevendo a como uma terra onde reinava a virtude nas mãos de um rei cristão justo, intitulado Négus.
Dois homens poderosos de Meca e muito respeitados, Omar ibn Al Khattab e Hamza ibn Abdul Muttalib (tio de Muhammad), aceitaram o Islam. Este acontecimento foi decisivo para os muçulmanos. Hamza se converteu em um seguidor importante e protetor de Muhammad até que morreu na batalha de Uhud (525 d.C.). Três anos depois da morte do Profeta Muhammad (que a Paz esteja com ele), Omar se converteu no segundo califa e governou o Estado Islâmico durante 11 anos.
616 a 618 d.C.
O boicote econômico e social: Os líderes de Meca tentaram fazer um acordo com Muhammad várias vezes, porém , a sua posição era firme porque carregava a mensagem de Deus para a humanidade, por isso não havia espaço para acordos contra a verdade. Então, decidiram boicotar Muhammad e seus seguidores e lhes impuseram um bloqueio econômico e social que durou três anos. Durante este tempo, Muhammad e seus seguidores sofreram muitas humilhações. Este período foi uma dura prova para sua paciência e compromisso com a verdade
619 a 620 d.C.
Ano da tristeza: Os chefes de Meca levantaram o bloqueio econômico e social, por se deram conta de que não trouxe nenhum resultado. Neste mesmo ano, faleceu o seu tio Abu Talib, que o educou e o apoiou, e também morreu sua esposa Khadija que o amou e o apoiou e lhe foi leal. Muhammad sofreu muito e cansou das perseguições dos líderes de Meca e decidiu buscar apoio fora de Meca. Dirigiu-se a cidade de Taif, a aproximadamente 80 km ao norte de Meca, onde também encontrou hostilidade.
Representação caligráfica do nome do Profeta, pintada na parede de uma mesquita em Edirne, na Turquia |
Um pouco de esperança: Mesmo com as dificuldades que atravessaram o seu caminho, Muhammad ( a Paz esteja com ele) e seus companheiros continuaram a pregação ao caminho de Deus, crentes n'Ele e na Sua Mensagem e convictos de Seu apoio e salvação. Ademais, falou com mais várias tribos árabes sobre o Islam, porém não obteve nenhuma resposta positiva. Em seguida, se encontrou com seis habitantes de lathrib (cidade situada a 450 Km ao norte de Meca) na época da peregrinação.
Duas grandes tribos habitavam esta cidade: Al Aus e Al Khazraj, e outras tribos judias. Estas pessoas eram da tribo de Al Khazraj e, ao ouvir Muhammad convidá-los a crer em Deus Único e falar sobre a Mensagem do Islam, lembraram que os judeus de lathrib comentavam sobre o envio de um novo profeta, então todos eles creram em Muhammad e regressaram com a intenção de convidar mais pessoas de sua própria tribo. E concordaram a voltar para Meca no ano seguinte no período da peregrinação para voltar a encontrar-se com Muhammad "o Profeta e Mensageiro de Deus".
Novos muçulmanos declaram apoio a Muhammad: O mesmo grupo voltou no ano seguinte (621 d.C.) com mais seis pessoas. Eles se comprometeram e deram o voto de fidelidade para Muhammad aceitando-o como Mensageiro de Deus e prometendo:
(1)"Não adorar nada além de Allah, o Deus Único. (2) Não roubar. (3) Não cometer adultério. (4) Não matar. (5) Não desobedecer ao Mensageiro de Deus." Esta promessa é conhecida como "o Primeiro Compromisso de AL Áqabah", em referência ao local onde ocorreu.
O grupo voltou para lathrib e convidou seus líderes tribais e seu povo para aceitar o Islam. Eles voltaram novamente no ano seguinte (622 d.C) na época da peregrinação com mais setenta homens e duas mulheres e fizeram uma promessa de fidelidade semelhante à primeira, que ficou conhecida como "2º compromisso de Al Áqabah", e foi um marco na história da difusão do Islam.
Uma nova comunidade muçulmana em lathrib, para onde os muçulmanos poderão imigrar: Os líderes das principais tribos (Al Aus e Al Khazraj) abraçara o Islam seguidos por sua gente. Muhammad, então, permitiu que seus companheiros imigrassem de Meca para lathrib, para viverem com seus irmãos distantes da perseguição de Quraish.
622 d.C.
A conspiração dos líderes de Quraish para matar Muhammad e sua imigração: Os chefes de Meca temeram o aumento dos seguidores de Muhammad e a difusão do Islam na Península Arábica, então idealizaram uma conspiração para matar Muhammad. Neste momento, o Profeta saiu de Meca junto com seu companheiro Abu Bakr, dirigiram-se para a caverna de Thaur, onde permaneceram durante três dias e, em seguida, imigraram para lathrib. Sua imigração representa o marco mais importante da história do Islam. Desde lathrib, o Islam floresceu, surgiu um novo sistema social e se estabeleceram as sementes do Estado Islâmico.
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Bismillah - Em nome de Deus |
623 a 624 d.C.
Muhammad foi eleito governador de Medina: Os habitantes de lathrib eram uma mescla de árabes e judeus. Ainda que somente houvesse duas grandes tribos árabes, a comunidade árabe era a maioria e, portante ostentava o poder. Muhammad, o Profeta de Deus , foi eleito governador de lathrib de maneira voluntária e pacífica, com o consentimento da grande maioria.
Muhammad altera o nome de lathrib: "Al Madinah Al Munawarah" (que significa "a cidade iluminada") foi o novo node que Muhammad deu à cidade depois de sua imigração, e a partir desse dia, lathrib não somente pertencia ao grupo de Al Aus ou Al Khazraj ou ao grupo dos judeus, mas se converteu na terra dos crentes que aceitaram o Islam, e era governada pelo Mensageiro de Deus.
Muhammad estabelece uma nova sociedade em Medina e prega a convivência pacífica e o respeito dos direitos alheios: A primeira ação realizada por Muhammad foi construir a mesquita para os muçulmanos poderem se reunir e realizar suas orações. E decretou a irmandade entre os imigrantes de Meca e os socorredores habitantes de Medina, aumentando assim a harmonia e o amor entre eles. Em seguida, Muhammad convocou as pessoas a realizarem a união e a coesão social em Medina.
A primeira vez que se pronunciou para as pessoas de Medina, Muhammad deu deliberadamente um discurso muito conciso no qual ele sublinhou a importância da harmonia e disse:
"Difundam o cumprimento da paz (al Salam), deem de comer uns aos outros, e rezem a Deus durante a noite quando os demais estejam dormindo. E assim, entrareis no Paraíso em paz".- Narrado por Ibn Majah, Annassaí e outros.
Muhammad relacionou esses atos com o que agradava a Deus para motivar as pessoas a amarem-se e viver em paz e harmonia em uma sociedade multicultural, onde viviam os árabes e os judeus, muçulmanos e não muçulmanos.
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Ao contrário do que muitos tentam dizer por aí : Islam é Paz |
Muhammad estabelece a primeira constituição e a primeira Carta de Direitos Humanos: Muhammad estabeleceu uma Constituição que definia os direitos e deveres das pessoas e o relacionamento entre as pessoas. Foi uma Constituição e Carta de Direitos Humanos e Liberdades assinada por todas as tribos árabes e judias.
"A constituição de Medina garantia a liberdade de consciência e culto para os muçulmanos, judeus e árabes que não haviam aceito o Islam. Ademais, a Constituição garantia a proteção e segurança para todos os cidadãos de Medina e requeria que todas as partes que houvessem assinado o acordo para a formação da Constituição formassem parte da defesa nacional no caso de Medina ser atacada pelos inimigos.A Constituição estabelecia justiça e garantia os direitos humanos, a liberdade e a proibição das práticas criminais e imorais.
624 d.C.
"Badr", uma batalha imposta aos muçulmanos: Quando os muçulmanos migraram de Meca para Medina, a maioria foi obrigada a abandonar suas casas e suas propriedades foram confiscadas.
Os chefes de Meca converteram o dinheiro confiscado dos muçulmanos no comércio e nos negócios. Os muçulmanos sabiam que uma caravana de mercadores que pertencia aos chefes de Meca e que era liderada por seu inimigo Abu Sufian, iria passar por uma rota muito próxima de Medina, então decidiram interceptar a caravana para assim poder recurar as riquezas que lhes havia sido confiscadas em Meca. Somente 313 muçulmanos levaram a cabo esta missão. O serviço de inteligência de Meca avisou a Abu Sufian para que a caravana mudasse a rota e desde então enviaram um exército de 950 soldados para lutar contra os muçulmanos que não estavam preparados para a guerra e não dispunham de armamento adequado.
Muhammad suplicou ao seu Senhor com devoção e insistência rogando a vitória. Esta batalha ocorreu na região de Badr, a 155 Km a sudoeste de Medina, no dia 17 de Ramadan, no segundo ano após a hijrah (imigração). Foi assombroso e totalmente inesperado o fato de que os muçulmanos ganharam sua primeira batalha contra os chefes de Meca, batalha, qual, muitos chefes de Meca e outras pessoas relevantes perderam suas vidas.
625 d.C
Os chefes de Quraish atacam os muçulmanos na Batalha de Uhud: Como vingança por perder a Batalha de Badr e por temor de perder sua liderança na Arábia, os chefes de Meca junto com alguns aliados árabes enviaram um exército de 3000 soldados para atacar os muçulmanos. A batalha ocorreu perto da montanha de Uhud, ao norte de Medina, no terceiro ano após a hijrah. Muhammad ordenou um grupo de atiradores a permanecer em cima de um pequeno monte para proteger a retaguarda do exército dos muçulmanos, porém eles desceram do monte e se ocuparam em reunir os espólios de guerra e, a o perceber isso, Khalid ibn Al Walid (que ainda fazia parte do exército de Quraish) deu a volta por trás do monte com o seu exército e atacou os muçulmanos.
Os muçulmanos perderam esta batalha e Muhammad se feriu. E muitos de seus companheiros caíram mártires, incluindo seu tio Hamza, a quem guardava grande afeto.
626 d.C.
Os líderes de Meca e várias outras tribos cercam Medina na Batalha da Trincheira: Esta batalha também é denominada "Batalha dos Aliados". Como Muhammad não foi abatido na batalha anterior, os chefes de Meca e algumas tribos árabes e judias fizeram uma convocação para unir forças e atacar conjuntamente a Muhammad para matá-lo e assim destruir a comunidade muçulmana.
Um exército composto de 10.000 soldados marchou até Medina.Depois de consultar seus companheiros, Muhammad (a Paz esteja com ele) decidiu adotar a proposta de um muçulmano persa chamado Salman que consistia em cavar uma trincheira no acesso norte da cidade de Medina, especialmente porque Medina é cercada de montanhas vulcânicas sobre as quais os cavalos não podem andar. Assim, a escavação de uma trincheira entre o oeste e leste da cidade impedirá os aliados de invadirem a cidade. Os muçulmanos escavaram uma trincheira de 5,5 Km de comprimento por 4,6 m de largura.
Os muçulmanos se encontravam em uma situação desfavorável, então fizeram o máximo que puderam, inclusive recorreram à guerra psicológica, para cinzelar uma boa defesa. Depois de um mês de cerco, o exército de Meca começou a impacientar´se. Foi então quando se desencadearam fortes tempestades e começou a soprar um forte vento que arrancou seus acampamentos, os aliados se viram forçados a se retirar.
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Meca em desenho feito em 1850 |
627 d.C
Tratado de Hudaibiah, uma trégua de 10 anos: Um ano depois da Batalha da Trincheira, Muhammad tomou uma iniciativa pacífica e decidiu fazer a Umrah (visita a Kaabah, a Casa de Deus em Meca). Visitar Meca com o propósito de venerar a Deus era um direito religioso que Meca havia se comprometido a dar a todas as pessoas da Arábia. Foi assombroso para os chefes de Meca ver Muhammad aproximar-se de sua cidade com 1400 civis provenientes de Medina.
Ao longo de várias negociações, os chefes de Meca e Muhammad acordaram uma trégua de 10 anos na qual Muhammad e seus companheiros regressaram a suas casas com a condição de voltar no ano seguinte para visitar Meca (628 d.C.) durante três dias. O acordo dava aos indivíduos e tribos o direito de fazer aliança com quem desejar, quem quiser entrar na aliança de Muhammad poderá entrar. E quem, entre os árabes, desejar entrar na aliança de Quraish poderá entrar.Quando algum quraishita vier até os muçulmanos, eles devem devolvê-lo aos quraishitas. E quando algum muçulmano vier até os quraishitas, eles não tem a obrigação de devolvê-lo a aos muçulmanos. A trégua constava de outas cláusulas com as quais os muçulmanos não estavam muito satisfeitos, pois favoreciam visivelmente os chefes de Meca, porém, Muhammad observava os resultados a longo prazo.
628 a 629 d.C.
Durante a trégua, Muhammad transmite a Mensagem dentro e fora da Península Arábica: A trégua foi uma oportunidade de ouro para Muhammad em transmitir a Mensagem de Deus e poder falar livremente às pessoas sobre o Islam sem ser interrompido ou interceptado pelos líderes de Quraish ou seus aliados.
Muhammad enviou delegações a outras tribos árabes da Península Arábica e escreveu cartas aos governadores e reis como Pérsia, Bizâncio e Egito, convidando-os a abraçar o Islam e aceitar a Mensagem de Deus. O número de muçulmanos cresceu rapidamente.
630 d.C
A conquista pacífica de Meca: A trégua não durou mais de dois anos, já que um dos aliados de Meca (Banu Bakr) atacou um dos aliados de Muhammad (Banu Khuza'ah) e matou 20 pessoas. Em resposta a este crime, Muhammad marchou junto com 10.000 muçulmanos para a conquista de Meca, pedindo a seus soldados que não lutassem a menos que fossem atacados. Os chefes de Meca estavam envergonhados e não se sentiam preparados para lutar contra os muçulmanos. Muhammad deu garantia de segurança a todas as pessoas que entrarem na Casa Sagrada, em sua casa ou na casa de Abu Sulfian, que era um dos maiores líderes de Meca. Muhammad se dirigiu a todos os habitantes de Meca confirmando-lhes a unicidade de Deus, atribuindo a Ele a vitória e recordando as pessoas que todos descendiam de Adão e que Adão havia sido criado do barro.
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Meca - Arábia Saudita |
Muitos dos habitantes de Meca perseguiram a Muhammad e seus companheiros, tentaram matá-lo e os expulsaram de sua terra, porem, apesar de todas as penúrias que haviam sofrido durante os últimos 21 anos, Muhammad se manteve sereno e perguntou :
"Que esperais que faça convosco?" Então responderam: "O melhor. Apesar de tudo, tu sempre foste um irmão generoso, filho de um irmão generoso". Muhammad então respondeu: "Vos digo a mesma palavra que José disse aos seus irmãos:"Não há repreensão a vós hoje. Que Allah vos perdoe, e Ele é o mais Misericordioso dos misericordiosos". Hoje não tens nada que temer. Regressem para suas casas, são livres".
630 a 631. d.C
Tribos árabes abraçam o Islam: Depois da pacífica conquista de Meca, a maioria das tribos abraçou o Islam, exceto a tribo de Thaquif e Hawazin , que lutaram contra os muçulmanos e perderam a Batalha de Hunain, no ano 8 depois da hijrah. Muhammad suplicou a Deus para que guiasse a tribo de Thaquif e, com a graça de Deus, eles creram e, no nono ano depois da hijrah o profeta ( a Paz esteja com ele) recebeu as delegações em Medina e enviou muitos de seus companheiros a várias províncias da Arábia para ensinar a Mensagem de Deus. Assim, a maioria das tribos árabes abraçou o Islam.
632 d.C
O sermão de despedida: A missão de Muhammad teve êxito e sua vida se aproximava do fim. No ano de 632 d.C Muhammad fez a peregrinação e deu seu último sermão ante mais de 100.000 pessoas. Seu sermão recordou as pessoas sobre os elementos básicos da fé, a crença em Deus único, o zelo pela vida, alertou contra os atos imorais da época pré-islâmica. Recomendou a benfeitoria para com as mulheres e o abandono dos pecados, da exploração e do monopólio. Também lembrou a igualdade de todas as raças, as regras de justiça, a moralidade e os direitos dos outros.
A morte de Muhammad
Em Arafat, durante a peregrinação, foi revelado ao Profeta (a Paz esteja com ele) o versículo: [Hoje, completei para vós a vossa religião, e completei sobre vós a Minha graça, e Me agrada o Islam por religião] (Al Maidah 3). O Profeta Muhammad viveu pouco mais de três meses depois da revelação deste versículo. A nobre missão de transmitir a palavra de Deus terminou depois de vinte e três anos de esforço. Muhammad morreu em sua casa em Medina no ano de 632 d.C. depois de transmitira a Mensagem e lutar continuamente para fazê-la chegar a todas as pessoas.Não deixou nem dinheiro,nem riquezas, senão um legado de fé que, todavia segue iluminando os corações de milhões de pessoas ao redor do mundo até os dias de hoje . Muhammad (a Paz esteja com ele) morreu numa segunda feira, no dia 12 de Rabi'al Awal do ano 11 depois de uma imigração (632 d.C)
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Al-Masjid al-Nabawi - local onde o Profeta (que a Paz esteja com ele) foi sepultado. |
Aqui está um bom acerto a muitas ideias sobre os maometanos; ler e prender não ocupa lugar.
ResponderExcluirComo ocupar o lugar? "maometanos" não são um país. Existem muitos muçulmanos que não tem relação nenhuma com a cultura de lá. O respeito deve ser para todos e não alguns.
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